A escolha da área da prova de 2ª Fase do Exame de Ordem : Estratégia OAB
Ricardo Torques -

A escolha da área da prova prático-profissional do Exame de Ordem

A escolha da área do Direito que será tema da prova de 2ª fase do Exame de Ordem é muito importante e com frequência preocupa os examinandos.

Nesse artigo, você encontrará um guia para te auxiliar a desfazer alguns mitos que rondam a prova prático-profissional da OAB.

Tomada no momento da inscrição e impossível de ser alterada, a decisão entre as sete disciplinas jurídicas  da 2ª Fase do Exame da OAB precisa ser fruto de uma análise detida.

A despeito do foco inicial ser a prova objetiva (afinal ela é a porta de entrada para a 2ª Fase do Exame), é preciso definir qual será a disciplina em torno da qual girarão os seus estudos, uma vez vencido o obstáculo da 1ª Fase.

A prova prático-profissional tem uma estrutura bastante padronizada. Pelo menos desde o IV Exame de Ordem Unificado ela é composta por quatro dissertações, valendo 1,25 ponto cada e uma peça processual, totalizando 5 pontos.

Para ser aprovado no Exame que permitirá sua inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil, o candidato deve alcançar a nota mínima de 6 pontos

Nessa prova de natureza técnica, o examinando tem a oportunidade de demonstrar que tem as condições necessárias ao exercício da advocacia. São sete área de opção:

prova 2 fase exame de ordem

Diante disso, surge a indagação: qual é a melhor área a se escolher?

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Mitos e estatísticas da prova de 2ª Fase do Exame da OAB

Sempre há burburinho de que Direito do Trabalho é uma área mais fácil. Afirma-se que são áreas com menos peças, além de constituir uma disciplina que estamos habituados no dia a dia.

Em Direito Civil os examinandos são desencorajados sob a alegação de que a matéria oferece um contingente amplo de assuntos e peças processuais.

Em razão disso, o volume de matéria e a probabilidade de identificar de forma incorreta a peça processual é maior.

Diz-se também que Direito Constitucional e Direito Tributário são dificílimos, por tratarem de matéria técnica, para cuja compreensão exige-se maior tempo de dedicação.

Mitos! Ao invés de nos ajudar, essas ilações têm prejudicado muitos candidatos.

O trabalho estatístico da FGV em torno dos resultados do Exame de Ordem obteve resultados interessantes:

Embora seja considerada uma área difícil, os índices de aprovação de Direito Civil são superiores quando comparado com Direito do Trabalho, que, por sinal, é uma das áreas que menos aprova.

Na contramão do consenso criado, Direito Constitucional é a área que possui, na média, maior índice de aproveitamento.

O estudo da Fundação apontou:

prova 2 fase exame de ordem

Isso significa, portanto, que devemos optar por Direito Civil ou por Direito Constitucional?

Depende! Se for a área que você tiver maior domínio sim…

Somente devemos nos preocupar com a prova prática após a realização da prova objetiva. De posse dos gabaritos e com a certeza de que você foi aprovado, é hora de focar na segunda fase.

Temos, portanto, um período aproximado de 45 dias para estudar para essa prova. Assim, diante do pouco tempo, da complexidade da prova, a melhor alternativa é escolher de acordo com a afinidade.

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Afinidade

Se você gostou de estudar Penal durante a faculdade não faça Trabalho só porque disseram que é mais fácil. Se você acha o estudo das ações constitucionais muito difícil, não faça Constitucional só porque o índice de aprovados é maior. Se você sempre teve bom desempenho em Direito Civil, não fique desencorajado.

A escolha da área deve ser pautada por fatores internos, não externos. Os dados estatísticos são fatores externos e podem indicar muitas coisas, mas não deve ser determinante na opção de escolha do examinando.

Paute sua decisão com base em estatística apenas se você não ideia de que área escolher.Vamos apontar alguns parâmetros para auxiliar você na sua decisão.

1) Disciplinas com as quais você teve maior afinidade ao longo da graduação. Nos anos de faculdade nós desenvolvemos empatia em relação a determinadas áreas.

Formam-se grupos na sala, daqueles que gostam mais da área penal, daqueles que preferem a área trabalhista e daqueles que possuem afinidade com a área cível, etc. Identifique o seu grupo!

Você poderá identificar isso facilmente olhando para a sua nota em relação à média dos demais colegas. Se você possui desempenho superior à média, muito provavelmente significa que você possui afinidade com aquela disciplina.

3) Se você pretende atuar em determinada área quando obter a inscrição na OAB, use isso como aliado na sua preparação. Ao estudar você está se preparando concretamente para atuar. Isso será motivador! A cada peça treinada você irá se sentir atuando, a cada conteúdo novo assimilado você poderá projetar como usar aquelas informações no exercício da profissão. Sonhar é uma parte importante para o sucesso!

4) Experiências anteriores contam muito. Se você fez estágio em escritório com atuação na área de Direito Tributário, responsabilizando-se pela redação de minutas de petições, provavelmente você mais facilidade em se preparar nessa área.

Não desconsidere esse conteúdo prático acumulado em experiências profissionais anteriores. Como dissemos, a prova prático-profissional é uma prova técnica, na qual o aluno deve demonstrar, além do conteúdo, a habilidade para redigir uma peça processual. Se você já fez isso, certamente está um passo à frente.

Muitos, entretanto, não atuaram na advocacia. Não importa! Se você fez estágios em órgãos públicos, como Tribunais, Ministério Público etc., use a experiência adquirida em direito material e o contato frequente com o processo “adiantar” a preparação. Um estagiário de Tribunal Regional do Trabalho certamente terá bagagem em Direito Material e Processual do Trabalho. Não é mesmo?

Essas quatro dicas, devem pautar a escolha pela área na prova prático-profissional. Não tome a decisão por impulso ou mera estatística, muito menos pelos chavões criados nesse meio.
Antes de encerrarmos esse tópico, outro questionamento: eu já tentei várias vezes a OAB em Direito Civil, devo mudar para Direito Penal?

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Mudança de área após reprovações

Não é indicado mudar de área com apenas uma reprovação. Acreditamos que isso deve ser cogitado apenas após sucessivas reprovações.

Inicialmente reflita. Procure identificar se realmente a dificuldade na aprovação tem relação com a área escolhida. Avalie o desempenho na prova objetiva em relação as demais matérias. Por exemplo, se você tem tido um aproveitamento abaixo da média na área que você escolheu para a segunda fase já prova dissertativa, ligue o alerta!

Como dissemos, a falta de afinidade poderá ser determinante no insucesso no Exame da OAB.

Contudo, dados estatísticos da FGV demonstram que aqueles que alteram a área, em regra têm mais dificuldades para ser aprovado no exame seguinte.

De todo modo, se você concluiu que, de fato, não é a sua área. Que estuda com materiais adequados, mas o rendimento não melhora é hora de tomar uma decisão. Errar é natural, insistir no erro não!

Tome a decisão e invista em nova reflexão. Procure identificar a área de afinidade e “aos estudos”!

Lembre-se, a mudança de área é indicada apenas após sucessivas reprovações e caso você perceba que a área escolhida se tornou uma barreira insuperável. Em tal circunstância, escolha a nova área, reestruture o planejamento e mãos à obra!

No final das contas: vale o quanto você estudou; o quanto você conseguiu acumular o conteúdo com qualidade. Isso é que será determinante para a aprovação!

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